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Aumenta tensão entre Governo e televisão

São Tomé e Príncipe: RTP África corre o risco de ser fechada

São Tomé - As tensões entre o Governo são-tomense e a delegação da RTP África têm evoluído drasticamente, com a recente queixa da primeira-ministra Maria das Neves contra o jornalista Abel Veiga a reflectir a degradação das relações entre o Executivo e a estação pública de televisão portuguesa, levantado novamente a questão da possível interdição da RTP em São Tomé e Príncipe.

As relações entre o Governo são-tomense e a RTP África foram sempre caracterizadas por uma forte tensão que tem resultado em ameaças constantes de fecho da delegação no arquipélago. A recente reportagem, assinada por Abel Veiga, transmitida no canal estatal português para África, que se baseava numa entrevista do ex-chefe da secreta são-tomense, Arlindo Ramos, publicada no quinzenário local «O Parvo», com a manchete «Três corruptos estão no governo», originou um levantamento das hostilidades entre o Governo de Maria das Neves e a RTP.

A primeira-ministra são-tomense apresentou uma queixa na Procuradoria Geral da República contra o jornalista Abel Veiga, acusando-o de «difamação, injúria e abuso de liberdade de imprensa», por ter utilizado a imagem da chefe do Governo e de um dos seus ministros, António Quintas.

Em declarações à PNN, Abel Veiga adiantou que «as relações do Governo de Maria das Neves com a RTP África sempre foram muito tensas». Em abril, contou, surgiu uma primeira ameaça de fecho da delegação da RTP África em São Tomé, à imagem do que acontecera na Guiné-Bissau, mas os acontecimentos de Julho (Golpe de Estado) acalmaram o diferendo.

«Eu abordei o assunto simplesmente uma semana após que o artigo que foi publicado na revista ‘O Parvo?. Segundo uma fonte, o próprio Governo, através do Conselho de Ministros, analisou a denúncia e accionou imediatamente os mecanismos judiciários para que este assunto seja esclarecido através da Polícia de Investigação Criminal (PIC). Quando eu pego na matéria foi exactamente no momento que o Conselho de Ministros analisa o caso e acha que tem de ser estuda e esclarecido», afirmou Abel Veiga.

No mesmo momento, relata ainda o jornalista, contacta o entrevistado da revista, Arlindo Ramos, ex-chefe da secreta, que negou conceder uma entrevista à RTP África declarando que «aguardava serenamente que a justiça o contactasse para que ele mesmo facilitasse o trabalho de investigação».

E acrescenta: «Com esses dados da minha fonte da Procuradoria Geral da República e a conversa com Arlindo Ramos, tenho novos elementos para a elaboração da reportagem, que complementariza a denúncia de ‘O Parvo’. Elementos esses que se associam à própria acção da Procuradoria Geral da República, que já estava a investigar o caso. Assim, o ângulo da minha reportagem foi o facto de já estar em curso uma investigação sobre o caso».

As imagens da discórdia

Para Abel Veiga, «o problema nasce com as imagens emitidas na reportagem». E esclarece: «Como tinha havido uma reunião do Conselho de Ministros, onde este assunto (entrevista de Arlindo Ramos ao ‘Parvo?) foi abordado, e não pudéramos fazer uma captação da imagem, utilizamos na reportagem imagens de arquivo, do mais recente conselho de ministros, e uma imagem já editada, mas que ilustrava o actual Governo».

O repórter da RTP justifica que «quando surge a imagem da primeira-ministra é pelo facto de esta estar à cabeça do Governo e não com o intuito de a atingir como pessoa». E acrescenta: «Temos de respeitar as técnicas que nos são impostas na elaboração de um trabalho de reportagem televisiva».

Contudo, durante a semana em que circulou a revista e até à difusão da reportagem, nenhuma acção fora desencadeada contra o quinzenário. Abel Veiga acredita que o motivo central da contenda deve-se à «liberdade» que aplicam na elaboração de textos e reportagens. «É uma questão da liberdade de imprensa», garante.

Curiosamente, não foi apresentada qualquer queixa contra Ambrósio Quaresma, o autor da entrevista e director da revista, a primeira publicação a avançar com a «denúncia de corrupção». Segundo apurou a PNN, Ambrósio Quaresma está protegido pelo facto de ser o actual presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Tomé e Príncipe.

Relações entre Governo e RTP

Quanto às más relações entre o Governo de São Tomé e a RTP, Abel Veiga adianta que esse mal estar já é uma «tradição», que foi fortemente acentuada com a chegada de Maria das Neves ao poder e confirma que «existem ameaças, e até ultimatos, de fechar, radicalmente, a delegação da RTP África no país».

Segundo o jornalista, que evoca fontes do próprio Governo, «não aceitariam qualquer deslize da RTP e a estação de televisão iria ter problemas».O repórter considera que «as relações da RTP com o Governo são-tomense são boas, o problema é nas relações do Governo com a RTP», falando mesmo numa «hostilidade latente» do Governo contra a RTP.

«Os políticos em São Tomé querem que os órgãos de comunicação se concentrem neles, quase exclusivamente, e não nas realidades do nosso povo», afirmou Abel Veiga.«A nossa política é concentrarmo-nos nas realidades das nossas populações, daí que somos complementares à TVS, Televisão de São Tomé, que se concentra nas actividades do Governo e dos seus ministros», disse ainda.

O jornalista confirmou à PNN que sofre muitas pressões dos políticos no exercício da sua actividade. «E essas pressões já trazem camufladas ameaças de perseguições e de me criarem vários tipos de problemas», assegura, notando ainda que as pressões de que é vitima estão, cada vez mais, a acentuar-se.

«A liberdade de expressão característica da RTP é incómoda para os políticos. À imagem do que aconteceu na Guiné-Bissau, onde fora encerrada por ordem do Governo, a delegação da RTP África, a mesma situação poderá acontecer em São Tomé e Príncipe», conta Abel Veiga.

«Já me avisaram que esse risco é real», confessou o jornalista, citando fontes seguras do Governo são-tomense. «Basta difundirmos uma peça que não seja do agrado de determinado membro do Governo que podemos fechar, o nosso risco é permanente e latente. Mas esta é a única forma de eu sei e aprendi de trabalhar... a outra é não fazer nada», concluiu Abel Veiga.


Rui Neumann em São Tomé e Príncipe

(c) PNN Portuguese News Network

2003-11-27 17:43:07

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Comentários
  
Lexie  2014-09-08 08:58:13


daniel  2011-09-05 15:45:01
Bom dia,
Após acompanhar varias polemicas entre o governo de São tome e a redação da RTP África em São Tome, gostaria aqui reafirmar que numa sociedade democrática a liberdade de impressa e fundamental para fiscalizar as ações do governo, mas não se pode usar o pretexto de impressa a atos que podem ferir individual ou coletivamente um grupo ou uma sociedade, já que o uso ou associação de uma reportagem a certos indivíduos podem levar a um contexto errado, equívocos ou mesmo a uma reportagem mal intencionada mesmo que os princípios iniciais seja outro. Assim gostaria de frisar que o repórter errou a fazer esta associação de imagem, sobretudo mostrando claro que ele não foi imparcial ao emitir opinião como se pede um repórter, e ele deve ser punido como qualquer outro cidadão ou profissional, mas isso não deve interferir no contexto de liberdade de impressa que se pede um pais democrático.


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